NCaster Has not been assigned a template for this catogory. This site is powered by Project ncaster
using defalts layout A avaliar pelas declarações prestadas em entrevistas e dabates pelos próprios candidatos, os portugueses irão eleger uma espécie de rainha de Inglaterra.

Segundo os próprios, o Presidente da República não pode fazer grande coisa a não ser manter boas relações com o governo. Irão cumprir rigorosamente a Constituição que, segundo eles, não deixa grande margem de intervenção ao Presidente.

Se calhar também nem é preciso. Se os candidatos não se pronunciam sobre a Ota e o TGV porque não conhecem os "dossiers", não dão uma ideia clara do que acham da corrupção enorme que corroi o país, da criminalidade cada vez mais violenta, do peso excessivo e ineficácia do Estado, da bagunça da justiça, da promiscuidade entre a política e os negócios, do aumento das desigualdades sociais, enfim, de todos os grandes problemas que afectam e preocupam os portugueses, apontando caminhos para a sua resolução, porque é que havemos de escolher um deles?

Se os candidatos gastam os seus tempos de intervenção a criticar e a apontar defeitos aos outros concorrentes, ou a queixarem-se da comunicação social em vez de dizerem aos portugueses como podem resolver ou ajudar a resolver os problemas do país, porque é que havemos de escolher um deles?

E porque será que eles querem tanto o lugar, se não podem fazer nada?

Se calhar é mesmo pelo surrealismo.

Imagine o leitor como se sentiria, sendo agnóstico ou ateu, condecorar, como presidente de um país laico, um dirigente muçulmano com uma ordem católica...

Quem disse que o presidente não pode fazer nada?


António J. Ribeiro