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using defalts layout O "sistema de mobilidade especial" que o governo decidiu agora aprovar tem, para além de muitas outras questões que não vou aqui analisar, alguns aspectos que fazem pensar que esta é mais uma lei para fingir que se resolve alguma coisa.

A primeira é de somenos porque se trata apenas de dar um nome às coisas, isto se considerarmos que dar um nome às coisas é uma questão de somenos: O governo reage com toda a força quando os jornalistas falam em supranumerários e perde-se em redondas explicações tentando explicar porque é que os funcionários que eventualmente estejam a mais estarão "em mobilidade especial" e não serão "supranumerários". Hilariante.

É preciso que sejamos claros e parece que há quem não tenha ainda percebido: Ser supranumerário é uma coisa completamente diferente...

Em segundo lugar o governo sabe que o número de funcionários públicos vai ter que diminiur. José Sócrates definiu no programa de Governo o objectivo de reduzir em 75.000 o activo de funcionários públicos ao longo da legislatura. No entanto, nem o Instituto Nacional de Estatística, nem o Banco de Portugal, nem o Ministério das Finanças conseguem responder sobre o número actual de funcionários públicos.

O ministro das finanças diz que não se pode falar de números totais e que ainda se vão fazer os estudos necessários para apurar os serviços onde eventualmente existam funcionários em excesso.

Se não se sabe ao certo quantos funcionários públicos existem, nem se são todos necessários, como é que se pode, honestamente, já ter definido o número que é necessário reduzir?

Por fim o governo vem dizer aos portugueses uma coisa espantosa: Temos funcionários a mais mas, para sermos políticamente correctos (e não perdermos muitos votos), não os vamos despedir. Vamos mandá-los para casa, com ordenado um pouco reduzido que até podem acumular com outro trabalho que possam arranjar, e vocês (contribuintes) vão continuar a suportar tudo isto com os vossos impostos.

Nenhuma empresa privada poderia aguentar muito tempo com um quadro de pessoal paquidérmico e ineficiente, sem produzir o suficiente para lhes pagar. Abriria falência, ponto final. Por isso os empresários sabem que têm que racionalizar os meios porque os desvarios sofrem-se na pele.

Os governos não precisam. Aumentam os impostos.

António J. Ribeiro