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using defalts layout Portugal vai a votos no dia 27 de Setembro para eleger um novo governo. Com uma taxa de desemprego superior a 9%, milhares de empresas falidas e muitas outras à beira da ruptura, com uma taxa de endividamento quase igual ao que o país produz, enfim, com o país, ele próprio, mesmo à beira da ruptura, era de esperar o aparecimento de pessoas e ideias novas com soluções vigorosas e imaginativas que permitissem aos portugueses vislumbrar melhores dias para o seu país.

Mas não. Como se nada de anormal se passasse, para além do papão da crise internacional que, quando acabar, também nos resolverá os problemas por arrasto, os partidos não encontraram nada de mais importante para dizer aos portugueses que não fosse lavar roupa suja e dizer mal dos concorrentes.

Na tradição dos brandos costumes ninguém se preocupou em explicar aos portugueses como é que se vai resolver o problema da despesa pública em que 80% vai para encargos com pessoal e prestações sociais, como é que se vai arranjar maneira de diminuir a dívida que aumenta a um ritmo de 1 milhão de euros por hora, porque é que é mesmo necessário construir mais uma auto-estrada entre Lisboa e Porto, porque é que é mesmo necessário o TGV, o que é que se vai fazer para tornar o país mais atractivo à criação de novas empresas, permitindo aumentar o emprego e o Produto, etc.

Paralelamente, como se de outro mundo se tratasse, os portugueses que ainda têm dinheiro para pagar o jornal e a televisão ficam a saber que a banca aumentou os lucros relativamente ao ano passado, que, mesmo assim, continua a pagar menos de metade do IRC que qualquer outra empresa, mesmo à beira do desepero financeiro, que os gestores públicos recebem prémios milionários, etc.

É assim que Portugal vai a votos. Com isso tudo e mais uns escândalos e suspeições de corrupção a alto nível e iam demorar quinze dias a investigar e que agora já estão "até aos olhos" do Procurador Geral da República e com um Presidente fragilizado por alegadas escutas que carecem de explicação ao povo português.

É neste contexto que os portugueses vão escolher um novo governo para os próximos quatro anos sem que tivessem visto novas ideias e vontade sincera de por Portugal a andar para a frente e não sistematicamente ultrapassado por cada país que entra de novo para a União Europeia.

É por isso que, não sabendo quem vai ganhar, e independentemente do partido que for mais votado, eu sei quem vai perder. Quem vai perder é Portugal.

António J. Ribeiro