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using defalts layout O discurso do Presidente mais aguardado para não interferir com a campanha eleitoral acabou, afinal, por retirar os focos da ribalta a outra campanha eleitoral.
Quem estava à espera de um discurso próprio de um Presidente sobre quem foram exercidas "manipulações" e acções que ultrapassaram "os limites do tolerável e da decência" enganou-se. Ouviu, isso sim, Cavaco Silva a fazer algo que não costuma fazer: partilhar com os portugueses, em público, a interpretação que fez sobre um assunto que inundou a comunicação social...

Muitos analistas e comentadores já disseram que Cavaco Silva afinal não disse nada. Não sou dessa opinião. No meu entender disse. E disse algumas coisas importantes.
Disse que as eleições autárquicas não são importantes. Estou a imaginar o Santana Lopes espantado: "Também tu Brutus?"
Disse que - e esta é uma mensagem importante para os jornalistas que vão para a política - na sua Casa Civil qualquer um pode ser afastado por suspeitas de práticas que mesmo o Presidente não acredite que tenham acontecido, só para não deixar que a dúvida permaneça.
Disse aos portugueses que se ponham a pau porque os seus computadores - que obviamente não possuem as protecções dos computadores da Presidência da República - podem estar a ser violados por quem quer que seja e a solução é ouvir "várias entidades com responsabilidades na área da segurança". Pelos vistos não existem neste país organismos que investiguem e punam crimes contra a violação de direitos dos cidadãos.

Afinal Cavaco Silva não disse nada que os portugueses já não soubessem. Só que os portugueses, já um pouco esquecidos dos brandos costumes, esperam sempre mais daqueles sobre os quais são excedidos os limites do tolerável e da decência. Ainda por cima sendo a pessoa em causa o Presidente de todos os portugueses.

António J. Ribeiro