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using defalts layout Não vou aqui fazer apreciações sobre as afirmações contundentes de Saramago nem dar-lhe ou tirar-lhe razão.

Prefiro falar de democracia e de livre direito de opinião.

É vulgar, geralmente como desculpa de políticos, ouvirmos falar da juventude da democracia portuguesa e será certamente por culpa dessa jovem inexperiente que o eurodeputado Mário David disse que José Saramago devia prescindir da nacionalidade portuguesa e que tinha vergonha de ter a mesma nacionalidade que o escritor.

Com 35 anos a nossa democracia não é propriamente uma criança inimputável e não podemos passar a vida a desculparmo-nos com a sua juventude, principalmente para justificar actos que revelam sintomas preocupantes de intolerância.
Desejar seis meses de ditadura para "pôr isto na ordem", fechar um jornal televisivo para calar uma jornalista ou dizer que alguém devia prescindir da nacionalidade só porque fez declarações com que não concordámos, entre outras, são atitudes que nos deviam deixar muito preocupados.

Ver estas atitudes por parte de quem tem responsabilidades políticas é mais preocupante ainda.

Não é por acaso que Portugal caiu de 16º para o 30º lugar no ranking dos países com mais liberdade de imprensa e até uma jovem de 35 anos percebe que um jornalista não devia ir responder a tribunal por escrever a verdade...

Resta-nos a esperança de ver que há bons sinais no sentido do amadurecimento da dita jovem, principalmente junto das grandes massas da população: Cada vez há mais futebol e telenovelas nas televisões portuguesas...



António J. Ribeiro