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using defalts layout lembrou o convite feito pelo Presidente da República a uma série de individualidades, ex ministros das finanças e ex responsáveis pelo Banco de Portugal, para uma troca de impressões sobre a situação actual do país e para avaliação da bondade dos megalómanos investimentos que o governo insiste em levar por diante.

Sabendo-se bem que a situação em que Portugal se encontra não é, principalmente, culpa da crise do "sub-prime" dos Estados Unidos e que a estagnação da nossa economia não é dos últimos dois anos, lembrou Luis Filipe Menezes que os senhores agora convidados para encontrar soluções milagrosas são os mesmos senhores que foram responsáveis pelas decisões económicas e financeiras de Portugal nos últimos 27 anos...
E adiantou uma sugestão: porque não convidar e ouvir jovens economistas e gestores, alguns dos quais até contribuem com sucesso para o desenvolvimento de outros países para onde tiveram que emigrar por falta de condições no seu próprio país?

Ora aí está uma sugestão que eu considero de mérito e que não é muito vulgar ouvir-se.
Não retirando o valor às personalidades convidadas pelo Presidente da República nem querendo sugerir que a sua opinião não é válida, a verdade é que o mundo está a viver um novo paradigma e a necessitar de soluções mais criativas, mais arrojadas e que rompam com as políticas gastas que nos levaram à situação actual.

Sendo a opinião das pessoas mais velhas e experientes de extrema importância, não se devia desprezar a opinião dos jovens quadros na procura de soluções frescas, desassombradas, sem teias de aranha, porventura ingénuas, mas que, conjugadas com a experiência e conhecimentos acumulados dos mais velhos poderia gerar a revolução mental necessária a fazer deste país o que, em tempos, já foi.

Ouvir os jovens era, no mínimo, uma questão de justiça. Afinal são eles e os seus filhos que irão pagar o comboio de alta velocidade para Madrid...

É claro que não estou a falar daqueles jovens que já começaram a sua vida bem instalados, que sairam directamente dos bancos da escola para a administração de bancos ou de grandes grupos económicos e que têm gravado na capa do disco que tocam a velhinha marca "his master's voice".
Estou a falar de muitas centenas de outros que, apesar da sua inteligência e capacidade, são prova viva de que Portugal não é o habitat ideal para o "homo sapiens" nem para o "homo erectus".

Enquando continuarmos, em Portugal, a dizer aquilo que queremos ouvir e a ouvir só aqueles que dizem o que nós queremos não vamos lá.
Resta saber se a intenção não é mesmo essa...

António J. Ribeiro