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Coluna do Leitor

Nunca se esqueçam do luto semeado pelo monstro Jonas Savimbi



«Aqueles que até hoje apregoam o heroísmo de um monstro como Savimbi nunca se esqueçam do luto que ele semeou por Angola fora, sobretudo no K K, na então república da Jamba, onde durante anos reinou a lei do silêncio. Ali deixámos muitos de nós parte de nós mesmos, muitas vezes sem direito a sepultura, como Tito Chingunji, esposa, Romy e 3 filhos; Dinho Chingunji, esposa, Aida Henda e 3 filhos; Wilson dos Santos, esposa Helena Chingunji e 4 filhos; e Alice Chingunji.»


«Afinal onde está o carisma e a heroicidade de um homem que no dia 7 de Setembro de 1983 organizou uma parada dividida em 3: no centro uma enorme fogueira, do lado direito um pelotão de fuzilamento e à esquerda a fila das mulheres na sua maioria intelectuais amarradas e levadas para a prisão central da Jamba. Nesse fatídico dia 7 de Setembro de 1983, ele próprio encarregou-se de fazer a chamada das mulheres para a fogueira com uma voz gélida e cadavérica e com um olhar carregado de heroísmo. Vitória Chitata já a arder ainda conseguiu erguer a filha suplicando aos presentes que salvassem a bebezinha de um ano de idade, e Savimbi da tribuna gritou: "filho de cobra é cobra" e lá se foi também aquela inocente criatura.

As cinzas das mulheres queimadas foram recolhidas e conservadas pelos curandeiros sob supervisão dos então general Begin, e Epalanga, (ainda vivo), e duas semanas depois todas as prisioneiras que sobreviveram à pancada, num total de 28, voltaram à parada e sob gritos de "morte às bruxas" já com as cabeças rapadas foram untadas com as cinzas das defuntas e definitivamente expulsas da Jamba, foram deportadas para o Katapi onde as sobreviventes do pelotão de fuzilamento comandado pelo então coronel Melgaço (ainda vivo) ceifou as vidas de algumas delas... permaneceram quase um ano a fazer trabalhos forçados, cultivando a terra de sol a sol sem direito a alimentação.

Afinal, nesta ordem de ideias, onde se encontram os corpos da mãe do general Bock, da Dona Priscila, da pequena Mbimbi Katalayo, já que a mãe de Savimbi para além de em 1988 ter tido direito a um funeral com salvas de canhão foi em Agosto de 1992 transladada para Lopitanga sua terra natal? Será que mesmo morto Savimbi ainda continua a meter medo aos Vatuvas e companhia? A ser assim nós os angolanos sinceros também queremos lembrar à direcção da Unita para que pelo menos faça um esforço no sentido de perguntar aos assassinos dos generais Bock, Antero, Tarzan, Nato, Grito, Perestrelo, e peço perdão pelos nomes que infelizmente olvidei, que indiquem às famílias onde ficaram os seus restos mortais.

Perguntem ao general Beja, ao Aniceto Gato, ao Kamunha e outros esbirros onde estão esses corpos, já que segundo Alcides Sakala, como africanos que somos, o luto só termina quando os restos mortais são entregues à família.

Todos esses supracitados deram o melhor de si nas grandes batalhas de que há memória, como Mavinga, Luena etc. Acho que o Sakala continua a ter medo da sombra de Savimbi. Liberta-te, Alcides. Se não o criticavas em vida como há tempos informaste, sabes que houve muitos homens de coragem temerária que em várias ocasiões discordaram com o chefe, e estes pagaram o preço mais alto.

Quando abordarem politicamente o caso da transladação dos restos mortais daquele que foi o pior monstro que a história de Angola conheceu, lembrem-se também dos órfãos e das viúvas dos generais supracitados.

Por favor, por uma vez sejam sensíveis ao sofrimento dos vossos próprios militantes, pois como os vossos, esses filhos também nasceram na luta, mas eles vieram de lá de mãos vazias. Muitos deles até hoje não têm nem pão nem tecto, quando há 4 anos a promessa foi prioridade para as viúvas e órfãos...

Que falsidade. Vão gastar rios de dinheiro para transladar Savimbi que já está enterrado, mas ninguém falou do Valdemar Chindondo nem do irmão, Piedoso Chindondo, de Jorge Sangumba, Cândinha Vumbi, Sessa Puna, Emy Manuel, Gina Kassanji, Vinona, Antónia ou Donia, Joana do grupo 3 de Agosto, Alfeu Chiuaia, Tina Brito, São, Fuma, Lindinho, Malory, Iko, ou Vakulukuta, e Orneias Sangumba, morto, por alegadamente ser agente da CIA!


Pergunto-vos: será justo para todas essas famílias que vocês transladem Savimbi sem pensarem nos seus? Afinal este indivíduo tem outros familiares para além da irmã. Por que é que o sobrinho querido não foi à cerimónia? Refiro-me ao Kamy, que matava sem se incomodar? Reflictam antes de agir... As chagas ainda estão abertas e a sangrar.»

Leitor devidamente identificado


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