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Portuguesa quer ser primeira mulher presidente de câmara de Harrison (EUA)
- 23-Oct-2010 - 11:44


A portuguesa Maria McCormick quer fazer história nas eleições intercalares norte-americanas de 2 de Novembro, tornando-se a primeira “mayor” (presidente de câmara) de Harrison, Nova Jérsia, nos 170 anos desta pequena cidade às portas de Manhattan.


Mas a tarefa de McCormick (apelido herdado do marido norte-americano), para derrotar Raymond McDonough, actual “mayor” democrata, no cargo há 16 anos, apresenta-se trabalhosa, devido aos escassos meios de campanha de que dispõe.

“É uma campanha de bagatela”, diz, em entrevista à Lusa, a candidata independente, única opositora a McDonough, depois de o candidato republicano ter desistido da corrida.

Os seis mil dólares (4297 euros) para a campanha são provenientes de donativos de amigos e residentes de Harrison.

Com poucos recursos, a campanha desta portuguesa nascida em Benfica, Lisboa, há 48 anos, não tem director nem “staff” e não pode contar com os tradicionais anúncios políticos nos órgãos de comunicação social.

Mesmo assim, Maria McCormick reúne o grupo de apoiantes todas as semanas e está optimista na vitória, pois, segundo diz, “a cidade de Harrison precisa de mudar”.

”Este ‘mayor’ está no poder há 16 anos e perdeu o contacto com a população, pois não responde às nossas críticas e às propostas daqueles que reclamam transparência no governo da cidade”, acusa.

Em causa estão as altas taxas prediais pagas pelos residentes, que aumentam todos os anos, e os negócios incluídos no projecto de desenvolvimento urbano promovidos pelo município.

Estes incluem expropriações de terrenos privados que o actual “mayor” promoveu para construção de novos bairros e do milionário estádio da equipa de futebol dos New York Red Bulls.

“Nós perguntávamos porque razão as coisas eram feitas daquela maneira e a resposta que tínhamos do ‘mayor’ era que fora decidido na assembleia e que não nos viu lá para contestar”, explica Maria McCormik.

Concluindo que só poderia obter respostas envolvendo-se na política, a portuguesa decidiu concorrer a vereadora da cidade em 2007.

Foi eleita como independente, juntando-se assim ao seu marido, também ele vereador em Harrison desde 2006.

“A cidade expropriou terrenos privados para construção de urbanizações por companhias que beneficiam de isenções fiscais por muitos anos, não trazendo riqueza aos residentes e obrigando a um aumento de taxas”, explica.

Além da cidade se ter endividado para este projecto, o retorno para os cofres públicos é “zero”, acrescenta Maria McCormick.

Devido a uma iniciativa sua, a câmara decidiu mandar este ano uma factura de cerca de 1,2 milhões de dólares (860 mil euros) aos Red Bulls, que se recusam a pagar e processaram a cidade por quebra de contrato, o que implica agora despesas judiciais.

Com um slogan de campanha “Independentes para a Mudança”, a candidata diz que não tem partido e é assim que quer derrotar o democrata Raymond McDonough a quem acusa de apenas “defender o aparelho partidário”.

“A maior parte destes políticos esqueceram-se que foram eleitos para trabalharem para o público e não para seu benefício”, acusa a vereadora.

É por isso que Maria McCormick se mantém optimista na vitória, pois diz sentir que as pessoas “querem mudança”.

A cidade de Harrison tem cerca de 15 mil habitantes, 13,6 por cento dos quais são de origem portuguesa.


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