NCaster Has not been assigned a template for this catogory. This site is powered by Project ncaster
using defalts layout Temos hoje um acordo, não. Tivemos ontem. Hoje tínhamos o cenário todo montado na Assembleia da República para a assinatura do acordo e as fotos da praxe mas afinal o acordo já tinha sido assinado ontem, em segredo, em casa do negociador do PSD, onde, imagine-se, o próprio ministro das finanças, em pessoa, se deslocou expressamente para o efeito. Mas o Dr. Eduardo Catroga guardou uma foto! Está no telemóvel dele. Para mais tarde recordar.

E pronto, está feito.

Andava aqui o pobre povinho angustiado com medo que o orçamento não fosse aprovado, a assistir todos os dias às manifestações de ira desses bichos horrorosos a que chamam "mercados" com as taxas de juro sobe num dia desce no outro e o PSI20 a seguir-lhes o exemplo, a ver-se já roto e descalço a partir de 2 de Novembro, mas não, está tudo bem! Ufa! Ou parafraseando o nosso Presidente: chiça!

Foi por pouco! Se o governo não tivesse cedido numa matéria tão importante como é o IVA do leite achocolatado na terça feira já só nos restava aceitar o dinheiro dos chineses. Chiça! Digo eu outra vez!

Pronto, quanto ao que era essencial estamos conversados. O orçamento é aprovado, damos "um sinal" aos "mercados" que estamos seriamente a pensar reduzir o déficit e eles - sejam lá quem forem - continuam a emprestar-nos dinheiro para nós (o Estado, entenda-se) continuarmos a esbanjar e a distribuir cargos e salários sumptuários pelos amigos (deles, entenda-se).

Mas se o caminho era este e toda a gente que percebe da poda já tinha dito, porquê tanta dramatização por parte do governo e do PSD durante tanto tempo? Porquê? Porque quando se faz um assalto dá-se sempre duas opções: uma má e outra pior. Já alguém ouviu um assaltante dizer: A bolsa ou as Seichelles? Não. Diz-se a bolsa ou a vida. Foi para isso mesmo que serviu este tempo. Foi para meter na cabeça dura do zé povinho português, várias vezes por dia, em todos os jornais e televisões (por acaso repararam que durante este tempo as televisões deram menos futebol do que é normal?) que se não desse a bolsa tinha que dar a vida no dia seguinte aos Fiéis Defuntos (até esta data veio a calhar).

Mas então - poderão perguntar aqueles que se interessam minimamente por estas coisas e sabem que se pode contar para além de vinte e dois - não há prá i uns 700 institutos e mais outras tantas fundações que gastam um balúrdio que já nem os nossos impostos conseguem pagar, onde está uma data de gente a dizer que faz aquilo que os ministérios deviam fazer, a ganhar uma pipa de massa mais carros, cartões de crétito, telefones, viagens, ajudas de custo e sei lá que mais? Se se acabasse com isso tudo não se conseguia resolver o déficit sem ter que roubar o zé povo?
Conseguia. Mas não é bonito faltar aos compromissos que se assumem para ganhar eleições.

Mas deixem lá, não se preocupem mais. Está tudo sob controlo agora. E como se portaram bem durante esta crise de incerteza gravíssima que atravessaram durante este mês vão ter mais futebol e telenovelas na televisão.


António J. Ribeiro