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Jantares e almoços de Natal
a bem dos tachos de alguns!

- 13-Nov-2010 - 12:32

Começa a chegar a época para os donos da comunicação social portuguesa, a mando também dos donos dos donos, realizarem jantares ou almoços de Natal com os seus operários. Mais más notícias, como no passado, ficam reservadas para (o início de) 2011. Foi assim em 2010, em 2009...

Por Orlando Castro
Jornalista


“Até à próxima!”, titulava O Comércio do Porto na sua derradeira edição. E não houve próxima. Para outros, mais dia menos dia, também não haverá próxima. É assim num país que não tendo conteúdo se limita à embalagem.

Não haverá próxima, entenda-se, para os jornalistas. E não haverá porque ao comércio de jornalismo só interessa os que não pensam. Os que entendem que quem não vive para servir não serve para viver, não têm lugar num negócio em que, de facto, vale tudo.

Em Julho de 2005 li o editorial do Rogério Gomes que dizia: "O Comércio do Porto não acaba em definitivo". Mas acabou. Era previsível. É difícil sobreviver quando se luta num meio, jornalístico, empresarial e político, em que prolifera o primado da subserviência em vez do primado da competência.

"Confio que o mais antigo jornal do Continente ressurgirá em breve e continuará o seu papel insubstituível de voz da Região Norte", escreveu então Rogério Gomes, contrariando na altura “A Capital” que assumia ser o “Fim”.

É "mais um duro golpe na perda de influência do Porto no panorama nacional da comunicação social e até mesmo da vida económica", sublinhou nesse tempo o líder do PS/Porto e candidato à Câmara local (hoje presidente do grupo parlamentar do PS), Francisco Assis.

Teve razão. Mas não basta tê-la. O que fez o PS, que por sinal estava, como ainda está, no Governo? Nesta matéria, como em tantas outras, limitou-se a valorizar a subserviência em detrimento da competência.

Por sua vez, a Direcção da Organização Regional do Porto do PCP (DORP) manifestou "total disponibilidade para participar num movimento cívico em defesa desta publicação, contrariando a sua subtracção à vida social e cultural do Porto".

Pois. Mas não bastou. Como continua a não bastar. Entre a disponibilidade e a acção vai uma grande distância.

Por seu lado, o deputado do Bloco de Esquerda João Teixeira Lopes, chamou à empresa proprietária dos jornais, a Prensa Ibérica, "investidores-predadores".

Esqueceu-se de, na altura, dizer que a culpa é de quem forneceu a corda que a Prensa Ibérica utilizou para enforcar os trabalhadores. E quem a forneceu fomos todos nós.

... e pelos vistos ainda há por aí muitos metros de corda pontos, prontinhos, para enforcar mais uns tantos.

Também o presidente Distrital do PSD/Porto, Marco António Costa (hoje vice-presidente do PSD), emitiu em Julho de 2005 um comunicado manifestando "preocupação" pela suspensão do jornal que - disse - "tem desempenhado um papel importante na sociedade civil nortenha".

Pois. E o que fez o PSD para evitar a situação?

Ainda na área social-democrata, o agora mudo e quedo presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, apelou à Junta Metropolitana do Porto para estudar uma solução que garanta a sobrevivência do matutino “O Comércio do Porto”.

Na altura escrevi: Falta é saber se amanhã o autarca de Gaia ainda se lembra do que disse hoje. Esqueceu-se no próprio dia.

Nos últimos cinco anos, pelo menos 181 jornalistas das redacções do Porto de vários órgãos de comunicação social perderam o emprego, 54 dos quais no despedimento colectivo, inédito na Imprensa portuguesa, levado a cabo pelo grupo Controlinveste (JN, DN, 24 Horas e “O Jogo”).

13.11.2010
orlando.s.castro@gmail.com


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