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Serafim Marques



Estudar Vale (rá) Sempre a Pena

Ele nasceu numa aldeia beirã, onde a economia rural daquele tempo era manifestamente insuficiente para sustentar as famílias, normalmente numerosas naquela década de 50/60 e aquele menino pobre, o segundo duma família de seis irmãos, já foi incluído pela obrigatoriedade do ensino primário a quatro anos, mas perdendo o pai aos sete anos de idade, desde logo prematuramente adquiriu o estatuto de “trabalhador-estudante”, porque muitos eram os dias que tinha que faltar à escola para poder ajudar a mãe nos trabalhos rurais.


Apesar disso, as suas capacidades permitiram-lhe concluir os quatros anos de escolaridade sem qualquer perda de ano e ser ainda um dos melhores alunos da sua escola. À alegria do exame da 4ª classe, naquele tempo exame nacional e efectuado na sede do distrito, logo se seguiu uma tristeza só sentida por ele, porque sabia que, para ele, a escola terminava ali. No silêncio, chorou, mais de tristeza do que do medo da dureza da vida que o esperava, que ele já conhecia desde que nasceu. Sabia que a sua formação escolar ia acabar ali, porque alem da família não ter posses para que ele pudesse ir estudar para a cidade (os 12 quilómetros de distância, eram, na época, uma enormidade e implicavam a hospedagem na cidade, logo inacessível à pobreza da sua família, onde o pão muitas vezes faltava), era ainda necessário começar a trabalhar e ganhar uns “tostões” para ajudar a família, infelizmente amputada do chefe de família - o pai. Com onze anos, sim apenas com onze anos, teve que migrar para o Alentejo, como “ratinho” ou, se quisermos, como escravo e um ano depois trouxeram-no para marçano em Lisboa.
Aqui, o sonho e o desejo de continuar os estudos foi avivado com os muitos exemplos de jovens que conheceu já na capital e que o faziam como trabalhadores-estudantes, isto é, por questões económicas, que se prendiam com a capacidade financeira das famílias, só o poderiam fazer na escola nocturna e apenas nas escolas comerciais ou industrias, existentes naquela altura, pois o liceu nocturno não existia
Não desistiu do seu sonho, mas apenas aos 15 anos, mesmo tendo que vencer enormes dificuldades, incluindo a financeira, iniciou então uma longa vida de estudante, mas sempre como trabalhador-estudante. Primeiro a escola comercial (com o curso comercial estruturado em seis anos na versão nocturna) e depois seguiram-se três anos do serviço militar em pleno “período quente” da guerra colonial. Regressou a Lisboa, em Outubro de 1974, e ao emprego que deixara e que, por lei, o esperava e continuou os estudos no mesmo regime, isto é, trabalhador-estudante. Aos filhos dos pobres, aqueles que, apesar e tudo continuavam os estudos, tinham por destino a escola comercial ou industrial e a vida mais difícil nessa progressão académica. Depois de um bacharelato em Contabilidade, seguiu-se um outro curso , este a nível de uma licenciatura em Gestão de Empresas. Foi longo (dos quinze aos trinta e dois anos de idade, incluindo o serviço militar) e de sacrifício o seu percurso escolar, mas em cada fase ou etapa, o José sentia a alegria do sucesso e partia para outro desafio. Aquele tipo de ensino (o tal dos pobres, isto é, só este lhes estava acessível, com maiores ou menores dificuldades) permitia que em cada ciclo ficasse habilitado para a vida profissional, ao contrário destes trinta e tal anos de “ensino unificado” pós 25 de Abril, depois que acabaram com o ensino técnico-profissional, embora já sejam visíveis os resultados dos novos cursos profissionais a nível secundário, entretanto lançados, com sucesso, por muitas escolas do nosso país, corrigindo-se um erro de cariz político-ideológico.
Hoje, ele é um cidadão com uma formação escolar e profissional muito acima da média, mas os sacrifícios pelos quais passou foram enormes e poderiam ter sido diferentes se alguém ou alguma instituição tivesse “investido” nele e este pagaria depois da conclusão dos estudos. Por isso, é fundamental que o Ministério da Educação crie mecanismos de apoio, para que nenhum jovem deixe de continuar os estudos ou seja obrigado a interromper a sua formação escolar por questões financeiras e dificuldades familiares. Mas não basta anunciar que os jovens podem aceder aos empréstimos para prosseguirem os estudos e cujo reembolso será efectuado por este, após a conclusão do curso e o inicio da vida profissional. É necessário, em primeiro lugar, sensibilizar os próprios, mas acima de tudo a respectiva família, porque este começa por ser um problema do agregado familiar. É preciso fazer-lhes sentir que a mão-obra que o seu descendente representa no imediato, poderá vir a valer muito mais se ele adquirir uma formação de maior valia no mundo de trabalho. Ganha ele e a respectiva família, mas também o país porque é na educação e na formação que reside a chave do nosso desenvolvimento individual e colectivo. Por vezes, pensa-se que este tipo de problemas é exclusivo das famílias pobres como era a dele (apesar de tudo, nada comparável com a “pobreza” dos dias de hoje), mas não é verdade. Quantas e quantas famílias contraem empréstimos para a aquisição de bens supérfluos (carros, viagens, etc.) mas são incapazes, por falta de visão formativa para os seus descentes, de contraírem empréstimos para fazer face ao investimento na formação dos seus descentes ou formandos? Se é verdade que à pobreza material estão “associadas” outras formas de pobreza, também é verdade que existem outras formas de pobreza que não apenas a pobreza material. Este é uma grave problema de mentalidades e que urge alterar sob pena do Estado continuar a gastar rios de dinheiro com a educação e os resultados não serem correspondentes. À falta de sensibilidade ou vontade destas famílias, não deveriam ser as escolas e outras instituições a orientarem estes jovens no sentido de que a continuação do seu percurso formativo não cesse por falta de capacidade financeira do seu agregado familiar? Numa época de crise como a que vivemos, esta situação, isto é, abandono das “carreiras escolares”, por falta de capacidade financeira das famílias, é uma situação ainda mais sensível e, como tal, que os jovens e os seus familiares deveriam ponderar as consequências dessa opção: estudar ou abandonar? O actual ministro da educação prometeu manter o programa de acção social escolar e afirmou, há dias, que ninguém devem deixar de estudar por dificuldades financeiras, designando isso por: “igualdade de oportunidades”.
Lembremo-nos da história do meu amigo, atrás citada, e que caminhos ou o que poderia ter ele feito se não tivesse sido a enorme pobreza da sua família a determinar o seu futuro, após a obtenção do primeiro grau do ensino obrigatório da época? Quantas histórias, como esta não ficaram por contar? Contudo, o que pensará o meu amigo ao verificar que, actualmente, temos, nós os educadores e o próprio Estado, que atribuir incentivos materiais aos jovens para “fazerem o favor” de continuarem na escola e, já agora, aprenderem alguma coisa, mesmo facilitando-lhes, cada vez mais, o seu esforço de aprendizagem? Estes sim, são os verdadeiros “pobres modernos”. Porque estamos no início de mais um ano escolar, vale a pena pensar nisto. ”. Estudar vale(rá) sempre a pena, como o “comprovou esta semana um “jovem de 69 anos” que concluiu a licenciatura em direito!

Serafim Marques
Economista



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