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Serafim Marques



Jesus não gosta dos portugueses ?

Se o barão Pierre de Coubertin, o percursor do olimpismo da era moderna, viesse ao mundo, ficaria chocado com o que se passa no desporto em geral, mas no futebol em especial, pois este transformou-se num negócio de milhões, tais são os interesses a ele ligados.


É óbvio que o futebol obedece a uma estrutura piramidal, mas é no topo que está a questão mercantilista do futebol. Os grandes clubes europeus são “produtores do produto futebol” que vendem internamente, mas que acabam também por exportar, essencialmente através da televisão, para países onde ele não tem ainda a mesma qualidade. Para manterem esse nível de qualidade, recorrem à importação massiva de jogadores de países africanos e da américa latina, onde os salários são mais baixos e a quantidade de praticantes é ainda elevada, ao contrário da Europa onde os jovens já não sentem apelo pela prática futebolística e também de outras modalidades desportivas.
No nosso país, o problema é semelhante, embora com valores à nossa dimensão mas que mesmo assim ofendem, tal os milhões envolvidos nas transferências de jogadores. De país de emigrantes, somos, no desporto em geral e no futebol em especial, um país de imigrantes, pelo que actualmente o cenário é de grande desequilíbrio entre portugueses vs estrangeiros, isto é, “«existência de um rácio elevado de jogadores estrangeiros por plantel nas modalidades de futebol, basquetebol, andebol e voleibol», e que no caso do futebol profissional o número de jogadores estrangeiros chega a ser de 80 por cento ou mais. É verdade que também há muitos jogadores portugueses emigrados, mas muitos tomam esta opção porque se não o fizessem ficariam inactivos/desempregados, tal a concorrência que sofrem com as contratações de estrangeiros e da desigualdade de oportunidades. Quando Ronaldo acabar, ficaremos órfãos dum ídolo, porque a renovação não se fez. Figo, Ronaldo e outros, atingiram o top mundial porque, ainda jovens, os treinadores apostaram neles dando-lhe as oportunidades que agora não dão a outros jovens portugueses.
Preocupado com esta situação, o Governo nomeou um grupo de trabalho e que concluiu que devem ser encontrados mecanismos de protecção aos jovens futebolistas e de outros praticantes, porque este problema é, para lá de desportivo e económico, também cultural. Não é tarefa fácil, porque quer a UE quer a FIFA têm normas nesta matéria pelo que os governos nacionais pouco ou nada podem fazer em termos de regulamentação. Por outro lado, os dirigentes e treinadores são homens que vivem do imediatismo e, por isso, preferem recorrer a um imenso mercado futebolístico (América Latina e África) sempre pronto a fornecer jogadores para todos os gostos e preços, em vez de apostarem nos jovens jogadores portugueses. Aos estrangeiros contratados são dadas oportunidades negadas aos portugueses.
Nem mesmo em período de crise (aumento do IVA nos bilhetes, acesso limitado ao crédito bancário, quebra do poder de compra dos “consumidores” de futebol, etc) esta loucura tem contenções, esquecendo-se os dirigentes que o futebol, como sector de actividade económica (especial), não vai ficar imune à crise em que o país está mergulhado. No futebol, queremos ser (tão) grandes como os países ricos?
No meio desta invasão de jogadores estrangeiros, qual é o papel dos treinadores dos nossos clubes, curiosamente todos portugueses e que enche de orgulho a classe dos treinadores, acrescentando que há muitos treinadores portugueses a trabalhar no estrangeiro, provando que estes têm qualidades? (Infelizmente, exceptuando Mourinho e Villas-Boas, todos os outros treinam em países das divisões secundárias do futebol mundial!). É verdade que os adeptos e os dirigentes exigem resultados imediatos e se estes não surgem, é o treinador que paga (é despedido), mas será que estes não poderiam fazer algo mais pelos jogadores portugueses? Instado a comentar as conclusões daquele estudo, o treinador do Benfica, Jorge Jesus, atacou forte e feio e até se deu ao luxo de dizer algumas barbaridades futebolisticas, por exemplo: “Somos formadores de portugueses mas também de estrangeiros e se queremos competir com os clubes ricos da Europa não nos podem impor limitações de estrangeiros”- disse e acrescentou que “os portugueses são visionários e que outros clubes nos vão imitar nesta política de contratações que temos seguido”. Depois em tom agressivo disse: “não me obriguem a dizer as verdades com palavras incorrectas”. De facto, desde que Jorge Jesus chegou a treinador do Benfica, o número de jogadores portugueses no plantel tem decrescido, pois este foi excluindo muitos dos jogadores portugueses da equipa, deixando a ideia de que “Jesus não gosta dos portugueses ?”. E os adeptos pouco se importam com a nacionalidade do onze do glorioso. Imaginem o que seria se nas suas profissões a concorrência (desleal ainda por cima) fosse assim como no futebol! Infelizmente, o cenário não é muito diferente em muitos dos clubes ditos profissionais portugueses, alguns deles subsidiados com os nossos impostos! “O futebol é a coisa mais importante das coisas menos importantes”. Porque há-de ser tão diferente da nossa estrutura sócio-económica? Numa altura que se pede aos portugueses que “comprem o que é nosso”, será que os dirigentes e treinadores não entendem isso, aplicando o lema ao futebol?

Serafim Marques
Economista



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