As Notícias do Mundo Lusófono
Notícias de Angola Notícias do Brasil Notícias de Cabo Verde Notícias da Guiné-Bissau Notícias de Moçambique Notícias de Portugal Notícias de São Tomé e Príncipe Notícias de Timor Leste
Ir para a página inicial de Noticias Lusofonas desde 1997 as notícias da lusofonia
Pesquisar

em
Airbnb
Notícias

» Angola
» Brasil

» Cabo Verde
» Guiné-Bissau
» Moçambique
» Portugal
» S. Tomé e Príncipe
» Timor Leste
» Comunidades
» CPLP
Informação Empresarial
Anuncie no Notícias Lusófonas e divulgue a sua Empresa em toda a Comunidade Lusófona
Canais


» Manchete
» Opinião
» Entrevistas
» Comunicados
» Coluna do Leitor
» Bocas Lusófonas
» Lusófias
» Alto Hama

» Ser Europeu

Siga-nos no
Siga o Notícias Lusófonas no Twitter
Receba as nossas Notícias


Quer colocar as Notícias Lusófonas no seu site?
Click Aqui
Add to Google
Serviços

» Classificados
» Meteorologia
» Postais Virtuais
» Correio

» Índice de Negócios
Venha tomar um cafezinho connoscoConversas
no
Café Luso
Colunistas
Serafim Marques



Os Equívocos do Futebol Português

O futebol no nosso país deixou de ser uma actividade de entertenimento e de exercício e prática desportiva para ser uma fonte de alienação e onde muita coisa é permitida.


O futebol distrital (amador) é uma “escola” não de virtudes mas de má educação e fomentador de rivalidades e bairrismos doentios e no qual as ofensas e agressões a árbitros (o elo mais fraco destes comportamentos que nos deveriam envergonhar e sobre os quais se descarregam a má educação e as frustrações) sucedem-se e, normalmente, os prevaricadores ficam impunes. No nível competitivo seguinte, ainda semi-profissional ou amador, os problemas são semelhantes mas nesse as rivalidades podem já ser de âmbito um pouco mais alargado. O futebol profissional, da 1ª. e 2ª liga (LPFP - Liga Port. de Futebol Prof.) é o mais mediático, quer porque são, essencialmente, clubes de maior implementação e também porque a imprensa lhes dá outro destaque e cobertura. Assim, todos aqueles que não frequentam os estádios, são bombardeados com matéria futebolística, pela imprensa desportiva mas também pela generalista. Por vezes, o destaque dado ao futebol acaba por ser ofensivo à sanidade sócio-cultural duma franja significativa de portugueses, mesmo daqueles que gostam do desporto-rei.
Se dos dezasseis clubes que fazem parte da 1ª liga quatro ou cinco fazem” figura de ricos”, os restantes tentam sobreviver com as migalhas que amealham, mas andam sempre com a corda na garganta para solver as suas dívidas, muitas vezes em crescendo e que os leva à queda para as divisões inferiores, até à sua falência . Dois terços do clubes da 1ª liga (aqueles que lutam para não descerem de divisão) e os dezasseis da 2ª liga apresentam resultados económico-financeiros extremamente deficitários e o próprio impacte sócio-económico na economia das localidades a que pertencem é muito baixo, porque os jogos entres esses clubes não arrastam adeptos. À maioria desses jogos, assistem poucas centenas de espectadores, e só quando recebem os “grandes” a receita melhora, complementada pelas migalhas dos direitos televisivos (70% dos direitos da televisão destinam-se aos três grandes e os 30% remanescentes para os outros vinte e nove clubes). Como se pode constatar, as receitas dos direitos televisivos não é distribuída equitativamente e nem tal poderia ser, pois são os grandes clubes (SLB, FCP e SCP) que levam não só mais espectadores aos estádios mas também geram maiores interesses televisivos e o consequente interesse das empresas que ali fazem publicidade e que acaba por suportar estas receitas do futebol.
Apesar desta realidade, que todos podemos constatar pelas televisões, os dirigentes desportivos apregoam que o nosso futebol é das poucas actividades que consegue ombrear com os países ricos da Europa e que a primeira liga português é a 7ª classificada das ligas europeias, tendo em conta os resultados desta década. Nem sempre as estatísticas mostram o todo e, por isso, os mais atentos ficarão surpreendidos com essa classificação do futebol profissional português, porque, afinal, a classificação da IFFHS, é obtida apenas e através dos resultados dos cinco primeiros clubes de cada liga europeia. Invocar essa “honrosa” classificação é atirar com areia aos olhos dos desatentos pois, de facto, só os cinco primeiros clubes portugueses têm algum impacto nos resultados desportivos da 1ª liga e que justificam esse 7º. lugar, mas a grande distância das grandes ligas dos países mais ricos e populosos do que o nosso (Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália, França e Holanda).
Desconheço o valor do impacto do futebol na economia do nosso país (o presidente da LPFP disse que o futebol pagou 100 milhões de euros de impostos em 2010), mas acredito que a balança de pagamentos (BP = saldo entre saídas e entradas de dinheiro relacionados com esta actividade) do futebol português seja deficitária e, desse modo, não justifica a relevância e o tratamento (por vezes de excepção) que lhe é dado. Não se basta a si próprio em “matéria-prima”, pois o número de jogadores estrangeiros é enorme e acaba por ter um forte impacto negativo na BP e no emprego destes profissionais. As despesas policiais e outros gastos envolvidos num jogo de futebol e não suportado pelos clubes, logo pagos pelos nossos impostos, é significativo (é a própria PSP que o afirma), em parte por causa do inqualificável comportamento das claques, às quais tudo é permitido e que (nos) deveriam envergonhar a todos. Aliás, elas acabam por afastar adeptos dos estádios, porque hoje é perigoso assistir a um jogo de futebol ou cruzarmos-nos com elas numa qualquer rua ou loja.
Os dirigentes, recentemente eleitos para a FPF e para a LPFP, afirmaram que vão introduzir alterações nas provas e enquanto a FPF pretende reformular os quadros nas provas não profissionais, com vista a reduzir custos de deslocação das equipas, a LPFP, apesar da crítica realidade do futebol profissional, pretende uma verdadeira “fuga para a frente”, isto é, defende o alargamento das duas divisões, pressionada pelos clubes “pequenos e pobres” que, pelos vistos, o elegeram. Seria mais racional proceder á redução do número de clubes na primeira liga e também na segunda ou nesta criar duas zonas geográficas, até porque os seis grandes vão entrar nela com as equipas “Bs”. Do ponto de vista desportivo e económico, esta sim será uma boa medida, se estes clubes não deturparem os objectivos que se pretende com a criação destas equipas e não cederem aos impulsos mercantilistas de continuarem a “comprar” jogadores estrangeiros em excesso, muitos deles autênticos melões, que só depois de abertos se sabe do seu valor. A ver vamos, mas é tempo do futebol português “descer à terra” e viver de acordo com a (nossa) realidade, dando também o seu exemplo na austeridade. Ou a crise não o afecta?

Serafim Marques
Economista



Marque este Artigo nos Marcadores Sociais Lusófonos

Voltar

Ver Arquivo




Ligações

Jornais Comunidades

Copyright © 2009 Notícias Lusófonas - A Lusofonia aqui em primeira mão | Sobre Nós | Anunciar | Contacte-nos

edição Portugal em Linha - o portal da Comunidade Lusófona design e programação NOVAimagem - Web design, alojamento de sites, SEO