O Brasil é demasiado grande para se esconder. E demasiado importante para continuar a dormir. A CPLP precisa de um Brasil com ambição. E o mundo precisa de um Brasil com rumo. Quando se fala em Lusofonia, é impossível ignorar a presença colossal do Brasil.
Com uma população que supera em muito a dos demais países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o Brasil detém não apenas um vasto potencial demográfico, mas também económico, cultural e político. Contudo, apesar dessa magnitude inerente, o país tem, por vezes, mostrado uma postura ambivalente frente à sua responsabilidade e influência no contexto global e na própria comunidade lusófona.
A CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) podia ser um bloco geopolítico de peso. Em conjunto, os seus países representam cerca de 300 milhões de falantes espalhados por quatro continentes. Mas falta-lhe visão, estratégia e liderança.
Portugal, com todas as suas boas intenções, não tem peso demográfico nem económico para liderar uma comunidade com países de realidades tão distintas. Angola e Moçambique têm potencial, mas estão ainda a resolver feridas internas. Os PALOPs menores continuam reféns de dinâmicas internas frágeis. O único país que podia galvanizar a lusofonia é o Brasil. E não o tem feito.
O mundo precisa de um Brasil com rumo. Um Brasil que assuma a responsabilidade de defender os interesses do Sul global. Que desafie a arquitectura financeira injusta. Que proponha alternativas ao neocolonialismo económico. Que seja a voz dos invisíveis.
O Brasil pode ajudar a CPLP a tornar-se um bloco económico, não apenas uma união de discursos. Pode impulsionar a mobilidade académica, o intercâmbio tecnológico, a integração cultural, o comércio justo, a diplomacia multilateral. Pode colocar África e América Latina no centro das decisões internacionais — se quiser.
O Brasil já mostrou lampejos do que pode ser. Foi protagonista nos BRICS. Liderou a FAO. Organizou eventos globais. Mas falta-lhe continuidade, coerência, projecto nacional. O problema não é o tamanho — é a falta de ambição estratégica e a fragilidade dos seus ciclos políticos. Governos vão e vêm, e o país continua a tropeçar em si próprio.
A verdade dura é esta: o Brasil é demasiado importante para continuar a dormir. Mas o despertar não virá de fora — tem de vir de dentro.
O mundo está a mudar. As alianças tradicionais estão em crise. A multipolaridade já não é uma teoria — é uma realidade em construção. E neste novo jogo de forças, a CPLP tem uma janela de oportunidade. Mas essa janela só se abrirá se o Brasil deixar de fugir de si mesmo.
A lusofonia precisa de um líder. O Sul global precisa de uma voz forte. E o Brasil precisa, acima de tudo, de acreditar na sua própria grandeza — não como arrogância, mas como responsabilidade histórica.
O futuro da CPLP passa inevitavelmente pelo Brasil. E o futuro do Brasil depende de acordar enquanto ainda há tempo para liderar.
Malundo Kudiqueba
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