Elitização e falta de recursos são os principais desafios do português nos PALOP

Jojo

Investigadores defendem que 50 anos após as independências a cooperação entre Portugal e os PALOP tem como elo a língua portuguesa, um pilar na identidade e desenvolvimento dos países, apesar dos desafios como a elitização e falta de recursos.

O professor Luís Sinate, ligado ao Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), em Lisboa, considerou, em declarações à Lusa, que existe uma elitização da língua portuguesa, que é mais utilizada no centros urbanos como “língua de conhecimento, de trabalho”, em contraste com as áreas rurais e periféricas, onde as línguas nativas predominam.

Luís Sinate atribuiu esta dualidade à “falta de recursos”, mas salientou que há um esforço dos países africanos lusófonos para tornar o português numa “língua de união”, especialmente na administração e na educação, bem como um “veículo de união” entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Portugal.

O professor também apontou que, antes das independências, a educação era “o parente mais pobre, onde era extremamente excludente”, sendo que a maioria da população não tinha acesso, acrescentando que após as independências, a educação passou a ser vista como um pilar fundamental para o desenvolvimento e a construção de uma nova identidade nacional.

O português, que antes era uma “língua impositiva”, transformou-se num “património partilhado” e num “veículo de comunicação” entre os países.

“[A língua portuguesa], como património, deixou de ser uma língua impositiva e passou a ser um património partilhado, para que todos os países pudessem ter um veículo de comunicação no mesmo registo”, sublinhou.

É a “linguagem diplomática, a linguagem da administração, a linguagem do ensino”, e a única ferramenta que pode criar um “espaço de lusofonia” com uma estratégia global.

Já a professora da Universidade Lusófona Patrícia Oliveira afirmou que uma cooperação mais horizontal deve-se posicionar estrategicamente para permitir que a língua portuguesa seja “uma língua de ciência e uma língua de investigação”.

Segundo a investigadora, os “laços históricos são fundamentais” para a cooperação entre Portugal e os PALOP, sendo que o foco actual é “perspectivar o futuro” e “desenvolver os países economicamente, politicamente e também ao nível da educação”.

A professora disse ainda que existem múltiplos desafios, nomeadamente nos financiamentos para a mobilidade e a criação de redes de cooperação entre as instituições de ensino superior, fundos para programas que promovam a mobilidade de estudantes e docentes e para projectos de investigação comuns no espaço lusófono.

À excepção da Guiné-Bissau, os PALOP assinalam este ano 50 anos de independência

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