Reverter disparidade de género em vários sectores requer investimento na inclusão digital e no combate à pobreza; novo relatório das Nações Unidas menciona realidades de países como Brasil, Moçambique e Portugal.
Em cinco anos, o mundo terá 351 milhões de mulheres e meninas na extrema pobreza, se as tendências actuais persistirem. A projecção é do relatório “Progresso nos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável: O Panorama de Género 2025.”
Se nada mudar, os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, particularmente o ODS 5, não serão alcançados. O prazo é 2030. O Objectivo 5 trata de igualdade de género e autonomia de todas as mulheres e meninas.
A publicação da ONU Mulheres e do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas cobre os 17 Objectivos destacando os últimos dados e evidências sobre igualdade de género, tendências e revela progressos e lacunas.
Falando à ONU News, em Nova Iorque, a directora da Divisão de Políticas da ONU Mulheres, Sarah Hendriks, destacou a importância da segurança alimentar e as intersecções entre o tema e a pobreza.
A representante ressaltou que dados no relatório Panorama dos ODS mostram que, no ano passado, 64 milhões de mulheres a mais do que homens estavam em situação de insegurança alimentar moderada ou grave.
Outra questão de grande preocupação é a estagnação que existe numa realidade em que 27% dos parlamentares em todo o mundo são mulheres.
O Panorama de Género 2025 alerta que as metas globais não estão ao alcance por políticas, negligência sistémica, investimentos estancados e um retrocesso em relação à igualdade. Os números ilustram, porém, que um rumo diferente ainda é possível.
Com um investimento robusto para eliminar a exclusão digital de género, estima-se que 343,5 milhões de mulheres e meninas em todo o mundo poderiam se beneficiar.
O foco nessa acção tiraria 30 milhões de mulheres e meninas da pobreza até 2050. A aplicação do montante geraria um ganho inesperado de 1,5 triliões de dólares no Produto Interno Bruto, PIB, global até 2030.
O relatório apresenta realidades de países de língua portuguesa. Pela proporção de mulheres em idade reprodutiva que alcançam a diversidade alimentar mínima entre 2012 e 2023 estão Moçambique, com 20,8, e Brasil com 54,8%.
Este parâmetro mede a qualidade da dieta mais concretamente um consumo de comida no dia anterior de pelo menos cinco dos 10 grupos alimentares.
O Brasil destaca-se pelo desempenho escolar de meninos em matemática ao final do ensino essencial maior do que para meninas. Outros Estados onde essa diferença é particularmente alta são Chile, Itália, Nova Zelândia e Reino Unido.
O acesso à electricidade para brasileiras rurais empregadas que está associado a uma renda maior é um dos pontos de análise.
Portugal e Brasil têm mais meninos que meninas atingindo a proficiência mínima em matemática na 8ª série.
A cinco anos do cumprimento dos ODS e passadas três décadas da adopção da Plataforma de Acção de Pequim, o relatório cita prioridades para implementação acelerada como investimento em custos para inclusão digital e combate à pobreza.
O Panorama de Género 2025 chama a atenção para o conceito da igualdade de género destacando que “não é uma ideologia”, mas sim uma questão fundamental para a paz, o desenvolvimento e os direitos humanos.
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