A diáspora de Cabo Verde como história e Identidade

Jojo

José Joaquim Cabral, autor de diversas obras, considera que a sua escrita foi abençoada por Frei Gesualdo Fiorini, sobre cuja marcante vida, em São Nicolau, escreveu uma biografia em 2006. Não tinha experiência, mas deu certo e continuou. Ele foi a Itália para encontros literários na Universidade de Roma e homenagem na comunidade cabo-verdiana e em Fiuggi a esse distinto capuchinho italiano que dedicou 52 anos da sua vida ao desenvolvimento espiritual e material de Cabo Verde.

Numa cornija múltipla  – que contemplou um encontro na comunidade cabo-verdiana para homenagear os 70 anos da chegada dos Frades Capuchinhos à ilha cabo-verdiana de São Nicolau (um deles Frei Gesualdo Fiorini que tanto marcou a ilha) uma ida a Fiuggi, terra natal do referido frade, e encontros literários na Universidade de Roma, La Sapienza – a estada de José Joaquim Cabral em Itália foi um importante momento de partilha do seu percurso literário e dos projetos de investigação que tem em curso.

Tudo começou em 2006 com a escrita duma biografia sobre a vida e ação do P. Gesualdo Fiorini na ilha de São Nicolau, pessoa que José J. Cabral tinha muito a peito, mas cuja filosofia de desenvolvimento espiritual e material adoptada em São Nicolau, onde o frade chegou em 1955, viveu 52 anos e está sepultado, não era bem compreendida nem por uma certa camada da população, nem pelos seus próprios superiores. José Cabral sentiu que havia algum equívoco, que devia ser esclarecido, e hoje acredita que essa biografia tenha contribuído para isso.

Além disso, foi um estímulo para José J. Cabral enveredar-se pelos caminhos da escrita e investigação histórica, com um olhar particular para a ilha de São Nicolau (donde é natural). Dá, então, continuidade à linha de “Chiquinho”, publicado em 1947 por Baltazar Lopes. Nesse romance, considerado o primeiro da literatura cabo-verdiana, o homem cabo-verdiano emerge – segundo Cabral – pela primeira vez e com a sua própria forma de falar português. O romance termina com Chiquinho a emigrar, em 1930, para os Estados Unidos. Baltazar queria ir para lá acompanhar a sua vida e prosseguir na escrita. A polícia portuguesa não deixou. Acushnet Avenue e Destinho Aziago são as duas obras duma trilogia de Cabral nas pegadas de Chiquinho e através desse personagem abarcam os dissabores de Baltazar tanto com o regime colonial, como pós-colonial.

José Joaquim Cabral continua nas lides da escrita e da investigação e está actualmente envolvido em trabalhos relacionados com as Baleias no contexto do Museu das Pescas de Cabo Verde; com os pouco conhecidos campos de concentração, criados pelo regime do Estado Novo português, em 1931, na Ilha de São Nicolau (antes da famosa prisão do Tarrafal de Santiago); e com a transferência temporânea do Bispado de Cabo Verde da Cidade Velha (ilha de Santiago) para São Nicolau (1885-1943); entre outros.

Legenda. José Joaquim Cabral (com livro na mão) Alícia Araújo, Vincenzo Barca e Simone Celani, no encontro com a comunidade cabo-verdiana em Roma

Lido 8328 vezes

Visited 31 times, 1 visit(s) today
Ajude a divulgar as Notícias Lusófonas - Partilhe este artigo

Artigos Relacionados

0 0 votes
Article Rating
Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments