O relatório “Health at a Glace 2025” da OCDE indica que o Brasil tem uma das taxas mais altas de mortalidade, alertando para a necessidade urgente de investimentos na prevenção e controlo de doenças crónicas.
Segundo o relatório, divulgado hoje pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), composta por 38 países-membros e que disponibiliza dados sobre a saúde da população e o desempenho do setor, o Brasil tem uma das taxas de mortalidade mais elevadas entre os países membros, candidatos à adesão e parceiros-chave. Com 1.413 mortes por 100 mil habitantes, o país lusófono ocupa a segunda posição no ranking, atrás apenas da Bulgária.
As principais causas que contribuem para esta elevada taxa no Brasil são as neoplasias (cancro), doenças do sistema circulatório (acidentes vasculares cerebrais, insuficiência cardíaca, entre outras), doenças respiratórias (pneumonia, doença pulmonar obstrutiva crónica, entre outras), causas externas (acidentes, suicídio) e outras.
O Brasil, juntamente com a África do Sul, é identificado no estudo como tendo a taxa mais elevada de mortalidade evitável padronizada por idade, ultrapassando 400 mortes por 100 mil habitantes, mais do dobro da média da OCDE, 222 mortes por 100 mil habitantes. Estes números alarmantes refletem a prevalência de doenças infecciosas e lesões, bem como condições crónicas associadas a fatores de risco, como o consumo de tabaco e álcool.
Uma das causas referidas no documento é a obesidade, sendo que o Brasil registou um dos maiores crescimentos nas taxas de obesidade entre 2003 e 2023, superando um aumento de 10 pontos percentuais. Esta tendência coloca os habitantes do país lusófono num risco crescente de desenvolver doenças não transmissíveis, como “diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, doença hepática gordurosa, certas formas de cancro e demência”.
A taxa de obesidade está correlacionada com questões socioeconómicas, colocando as pessoas de rendimentos mais baixos “em maior risco — em parte devido à exposição a ambientes obesogénicos que incentivam o consumo de alimentos densos em energia, gorduras trans e gorduras saturadas, e estilos de vida sedentários”.
Quanto à esperança média de vida, no relatório aponta-se que a África do Sul regista a mais baixa entre os países analisados, fixando-se nos 66,1 anos. Já o Brasil, embora com um índice superior, 75,8 anos, está cerca de seis anos abaixo da média da OCDE, 81,1 anos.
A disparidade de género é evidente nos dois países. Tal como no Brasil, as mulheres sul-africanas vivem cerca de seis anos a mais do que os homens, um fenómeno que a organização atribui largamente aos fatores de risco comportamentais mais acentuados no género masculino.
Em relação aos hábitos de saúde, os homens brasileiros fumam e bebem mais, têm mais peso e praticam menos atividade física, o que sustenta a maior mortalidade masculina. O estudo revela que, ao contrário dos homens, as mulheres brasileiras mantêm hábitos mais saudáveis.
No relatório sublinha-se ainda que o funcionamento do sistema de saúde no Brasil e na África do Sul demonstra uma forte dependência do setor privado, indicando problemas de acesso e equidade.
Na África do Sul, 45% das despesas totais com a saúde são cobertas por seguros de saúde voluntários, e, no Brasil, 27%, valores muito superiores à média da OCDE (5%), onde “os pagamentos diretos financiaram pouco menos de um quinto de todas as despesas com a saúde em 2023”.
A análise demográfica, englobada no estudo, aponta para um desafio no futuro do Brasil.
O Brasil gasta menos de 0,5% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em cuidados de longa duração, um valor residual face à média da OCDE (1,8%). No entanto, o país, cuja proporção da população com 65 anos ou mais era ligeiramente superior à metade da média da OCDE em 2023, enfrenta um rápido envelhecimento da população, com quase 22% das pessoas com 65 anos ou mais até 2050.
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