50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos

50 anos de independencias africanas vistos pelos seus cidadaos autores club

Só Fizeram Falta Os Que Disseram “SIM”
2025. 50 anos das independências dos cinco Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) – Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe; ainda que, na realidade, a Guiné-Bissau tenha comemorado 52 anos, mas como Portugal só reconheceu a sua independência mais de um ano depois.

Meio século depois da conquista da soberania, esperava-se que a efeméride fosse não apenas motivo de celebração, mas também de reflexão séria e plural sobre os caminhos percorridos e os desafios ainda presentes. Contudo, a tentativa de reunir contributos escritos de personalidades políticas, académicas e culturais revelou-se mais difícil do que se previa, deixando exposta uma realidade menos entusiasmante.

Foram convidadas cerca de 100 personalidades, entre Presidentes da República e Chefes de Governo (actuais e antigos), políticos, diplomatas, intelectuais e outros intervenientes de relevo dentro da Sociedade Civil. No entanto, apenas 39 responderam positivamente (Angola teve 26 respostas, Cabo Verde – 5, Guiné-Bissau – 2, Moçambique – 3, e São Tomé e Príncipe – 3).

Segundo os coordenadores desta Obra, Eugénio Costa Almeida e Rui Verde, as dificuldades foram ainda mais notórias no caso das convidadas (só 20, porque algumas previamente contactadas, indicando que iriam ser convidadas, disseram logo que não iriam participar), cuja adesão foi cerca de metade (8), revelando não só barreiras práticas de disponibilidade, mas, também, o persistente défice de representação feminina em espaços de memória e debate.

A ausência de duas vozes presidenciais – Moçambique e São Tomé e Príncipe – deveu-se a obstáculos tão básicos e quase anedóticos e, por isso, esclarecedores, quanto a falta de contactos de email, um sinal preocupante da fragilidade das redes de comunicação institucional em pleno século XXI.

O dado mais revelador, porém, é que entre todos os Presidentes e Chefes de Governo contactados (actuais e antigos), apenas um Chefe de Estado e dois antigos Chefes de Governo se dispuseram a enviar o seu testemunho. Os restantes, seja por silêncio, seja por desinteresse, afastaram-se desta oportunidade de contribuir para uma memória colectiva. Em Angola, a explicação parece recair no facto de dirigentes e intelectuais estarem absorvidos pelas próprias comemorações nacionais do cinquentenário. Já na Guiné-Bissau, tal como em Moçambique, a ausência de respostas parece reflectir uma constante que muitos consideram (ainda) actual: a dificuldade das elites políticas em engajar-se para além da esfera imediata do poder.

O que resulta deste esforço com resultados desanimadores, é que os membros do poder têm, em geral, dificuldade em comunicar com a sociedade; não descem do seu pedestal litúrgico, isolam-se num auto-convencimento que interroga o percurso pós-independência de muitos dos seus países.

O balanço, por isso, é inevitavelmente crítico. Um período que simboliza resistência, luta e conquista da liberdade poderia e deveria ter sido celebrada com maior sentido de compromisso. O reduzido número de contributos não diminui o valor dos textos recebidos – bem pelo contrário, havendo alguns que são autênticos ensaios de excelente qualidade –, mas expõe uma falta de disponibilidade (e talvez de vontade) para olhar a História com outra profundidade. Talvez, alguns, preferissem “falar” em vez de escrever…

Ao fim de 50  anos, os PALOP não necessitam apenas de comemorações oficiais, mas também de vozes diversas, capazes de pensar e questionar o percurso das nossas nações.

É preciso ir além das cerimónias e discursos institucionais. As nações clamam por uma pluralidade de vozes — críticas, criativas, comprometidas — que possam reflectir sobre o passado, interrogar o presente e imaginar futuros possíveis. Precisamos de intelectuais, artistas, jovens, líderes comunitários e cidadãos comuns que tragam à luz narrativas silenciadas, que questionem os modelos de desenvolvimento adoptados, que desafiem as estruturas de poder e que contribuam para uma renovação profunda do pensamento político e cultural. Só assim poderemos honrar verdadeiramente o legado da independência: não como um ponto de chegada, mas como um processo contínuo de emancipação.

O projecto literário, foi, inicialmente, pensado em ser dividido em 3 partes: “Presidentes (atuais e antigos)”; “Chefes de Governo e Políticos Relevantes”; e “Cultura e Arte” (que englobaria académicos, jornalistas, escritores, artistas, escultores e outras personalidades ligadas à cultura e à arte) e onde a distribuição dos contributos seria feito por ordem alfabética de cada um dos países dos PALOP, ou seja, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

Todavia, esclarecem os coordenadores, face às respostas obtidas, este projecto literário acabou alterado e dividido conforme segue; “Chefes de Estado e de Governo (actuais e antigos)”; “Detentores de cargos políticos” – estando incluído um antigo Diplomata e político –; “Sociedade Civil”; e “Ensaios” (este item foi criado devido ao elevado número de páginas apresentadas – inicialmente era prevista 3 a 6 páginas de contribuição –, mas que pela sua qualidade mereceu a criação desta opção) e, no final, uma Biografia acompanhada de foto de todos as personalidades que contribuíram para este projecto literário.

De notar que, pela mesma razão da exiguidade das respostas, em particular, os coordenadores optaram por distribuir todos os autores participantes por ordem alfabética, dentro de cada item, sendo que cada um terá indicado, na sua identificação, o país de origem.

De notar, e porque éimportante referi-lo, que foi nossa intenção, respeitar a grafia de cada um dos autores participantes. Houve quem optasse pela grafia do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), houve quem decidisse mantar a antiga grafia e, houve ainda, quem acabasse – talvez devido aos correctores ortográficos – apresentar textos com as 2 grafias. Foram, igualmente, acolhidas as solicitações de alguns autores para manter as características de seus textos, nomeadamente, a forma do título e sub-títulos e corpo do texto.

 

LIVRO EM PRÉ-VENDA NA EDITORA

 

DEPOIMENTOS DOS COORDENADORES

Vale a pena o livro “50 Anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos”?

Rui Verde (Coordenador)

Ao coeditar este livro com o Eugénio Costa Almeida, que teve a iniciativa de o propor, que reúne palavras de cidadãos africanos de língua portuguesa sobre os cinquenta anos das independências dos seus países africanos, senti a urgência de dar corpo a uma memória coletiva que insiste em ser silenciada.
O projeto nasceu da convicção de que a história não se escreve apenas nos gabinetes ou nos arquivos oficiais, mas também nas vozes que, tantas vezes, ficam à margem.
São testemunhos que revelam tanto a esperança como a frustração, tanto o orgulho da emancipação como o desencanto perante a falta de evolução das mentalidades.
É um mosaico de experiências que nos obriga a olhar de frente para o que fomos e para o que ainda não conseguimos ser.
O que emerge deste trabalho é um lamento tão habitual quanto real: a falta de interesse das autoridades políticas neste projeto, como em outros, demonstra a real ausência de ação política genuína em cultivar a cultura e a ciência, pilares sem os quais nenhuma independência se consolida.
Meio século depois, permanece a sensação de que a independência foi apenas formal, não acompanhada por uma verdadeira emancipação intelectual e social. A falta de apoio às instituições culturais, a negligência perante a investigação científica e a indiferença em relação ao pensamento crítico revelam uma estagnação que não pode ser ignorada.
É como se a independência tivesse ficado suspensa, incapaz de se traduzir em progresso partilhado.
A edição do livro expôs também a dificuldade em cultivar a tolerância e o diálogo político. A pluralidade de vozes que recolhemos, e a falta de outras, mostra como, em muitos contextos, a divergência é vista como ameaça e não como riqueza.
O espaço público continua marcado por discursos de exclusão, por práticas de silenciamento e por uma incapacidade de reconhecer o outro como interlocutor válido.
É um retrato duro, mas necessário, que nos obriga a refletir sobre o que significa viver em sociedades que se dizem democráticas, mas que ainda não aprenderam a dialogar com serenidade.
Ao mesmo tempo, há uma dimensão de pertença que atravessa todos os testemunhos: a língua portuguesa como espaço comum, como território simbólico que une diferentes geografias e histórias.
Num tempo de divergência, em que os monstros do mal estão à solta — sejam eles a intolerância, o populismo ou a indiferença —, a língua surge como possibilidade de solidariedade.
Não se trata de apagar diferenças, mas de reconhecer que há um mundo próprio, partilhado, que pode ser reforçado através da palavra. A língua portuguesa, neste contexto, não é apenas instrumento de comunicação; é também veículo de memória, de resistência e de esperança.
O livro que coeditei é, por isso, mais do que uma coletânea de textos: é um manifesto contra a indiferença.
É um apelo ànecessidade de repensar o lugar da cultura e da ciência nas nossas sociedades, de valorizar o diálogo político e de reforçar o sentido de pertença a uma comunidade que, apesar das suas fragilidades, continua a procurar caminhos de solidariedade. Ao dar voz a cidadãos africanos, quisemos mostrar que a independência não é apenas um marco histórico, mas um processo inacabado que exige vigilância, coragem e compromisso.
Se há uma mensagem que este livro procura transmitir, é a de que o futuro de África não pode ser desenhado de fora para dentro, mas sim de dentro para fora.
O desenvolvimento, para ser autêntico e duradouro, tem de ser promovido por africanos de todos os credos, origens e pertenças. Só assim se garante que as soluções respondem às realidades locais, às necessidades concretas das comunidades e às aspirações legítimas de sociedades que querem prosperar sem perder a sua identidade.
O continente é vasto e diverso, e essa diversidade deve ser vista como força, não como obstáculo. A pluralidade de culturas, religiões e tradições pode ser a base de um modelo de desenvolvimento inclusivo, capaz de integrar diferenças e de transformar divergências em complementaridades.
No entanto, paira sobre África um perigo que não é novo, mas que se reinventa com roupagens contemporâneas: o extrativismo transnacional.
Meio século depois das independências, o continente continua a ser visto por muitos atores externos como território de exploração, fonte inesgotável de matérias-primas e recursos estratégicos.
O que antes se fazia sob a bandeira colonial, hoje se faz sob a lógica dos mercados globais e das corporações multinacionais. O resultado, infelizmente, ésemelhante: riqueza que sai, pobreza que fica. É um ciclo perverso que ameaça transformar África, mais uma vez, em vítima de interesses alheios, incapaz de usufruir plenamente dos seus próprios recursos.
Este livro, ao dar voz a cidadãos africanos, mostra como essa consciência está presente e como há uma exigência crescente de soberania sobre os destinos do continente.
Não basta celebrar a independência política; é preciso conquistar a independência económica e científica. É preciso investir em educação, em investigação, em tecnologia, em cultura. É preciso criar condições para que os jovens africanos possam sonhar e realizar os seus projetos sem terem de emigrar ou submeter-se a sistemas que os marginalizam. O desenvolvimento não pode ser importado; tem de ser cultivado, com raízes profundas e sustentáveis.
A necessidade de reforçar o sentido de pertença a um mundo próprio, o da língua portuguesa como espaço de solidariedade, ganha aqui uma nova dimensão.
A língua pode ser ponte para a cooperação, para a partilha de conhecimento e para a construção de redes que resistam ao extrativismo. Mas essa solidariedade só será verdadeira se for acompanhada por práticas concretas de apoio mútuo, por políticas que promovam o intercâmbio científico e cultural, e por uma visão estratégica que coloque África no centro das suas próprias decisões.
O perigo do extrativismo transnacional não é apenas económico; é também cultural e político. Quando se privilegia a lógica da exploração sobre a lógica da emancipação, corre-se o risco de perpetuar mentalidades coloniais, de reforçar dependências e de minar a capacidade de diálogo interno.
É por isso que este livro insiste na necessidade de cultivar tolerância e diálogo político: sem eles, não haverá capacidade de enfrentar os desafios externos. A diversidade interna de África, se bem gerida, pode ser a sua maior defesa contra os monstros do mal que se soltam no mundo globalizado.
Ao reunir estas vozes, quisemos mostrar que o desenvolvimento não é apenas uma questão de infraestruturas ou de crescimento económico.
É, sobretudo, uma questão de dignidade, de soberania e de pertença. É um processo que exige coragem para enfrentar os poderes externos e determinação para construir alternativas próprias. É um caminho difícil, mas indispensável, se quisermos que as independências celebradas há cinquenta anos se tornem, finalmente, independências reais.

………………..

Comentário sobre os 50 anos das independências coloniais lusófonas

Eugénio Costa Almeida (Coordenador)

Quando em finais de 2024, e reafirmado mentalmente, em Janeiro 2025, me levou a avançar para o projecto literário, que viria ser finalizado em Novembro de 2025, e que ficou conhecido por «50 anos das Independências Africanas vistos pelos seus Concidadãos», e que visava os 50 anos das independências coloniais portuguesas, celebradas em 2025, não pensei que o mesmo poderia ter e ser alvo de vários entraves.
Como nunca conseguiria levar por diante este projecto sem apoios, falei com Rui Verde e apresentei-lhe o mesmo que teve quase imediato acolhimento, quer dele, quer do CEDESA.
E, assim, ambos avançámos para este projecto literário de “chamar”à colação contributos de personalidades Afro-lusófonas, de cada um dos Países celebrantes, incluindo Guiné-Bissau, apesar deste já estar nos 52 anos, mas só ter visto a sua independência reconhecida pela potência colonizadora, Portugal, em finais de 1974.
De imediato contactei algumas pessoas, cujo contactos pessoais eu detinha, para ver quais as possibilidades de poderem participar. Alguns, de imediato, disseram SIM. Outros, invocando razões profissionais, académicas e, até ministeriais, disseram NÃO (estavam muito ocupadas com celebrações oficiais e, ou, académicas e profissionais que, naturalmente, respeitei).
Mas isso não me desmotivou. Como bom escorpião, a teimosia intelectual levou-me a convidar – tirando um ou dois dos que deram nega, por razões que dispenso aqui referir – todos os que detinha contactos de email, entre Amigos, conhecidos e outros que, não os conhecendo pessoalmente, foi-nos entregue – a mim e ao Rui Verde – os referidos contactos: tanto de emails como telefónicos.
E foi assi, que avançamos para os convites a todos os que considerámos ser ou dever convidar. E nestes estavam, como era nossa intenção desde o início, Presidente e antigos Presidentes; Chefes e Governos actuais e antigos; Políticos e outros relacionados com algum relevo na vida nacional de cada país; e Sociedade Civil (que englobava, tudo: escritores, jornalistas, artistas, arquitectos e outros mais).
Foram, como se refere no preâmbulo que inicia o livro, «Os Coordenadores: Independência com vozes em falta no cinquentenário dos PALOP», convidados, por email ou directamente, cerca de 100 personalidades, incluindo senhoras.
Este relevo ao “senhoras” se deve ao facto de considerarmos que a linha feminina persiste em estar pouco representada nas lides literárias e jornalísticas dos nossos Países. Apesar da minha vontade só foram enviados convites as cerca de 20 senhoras. Ainda assim, e como poderão verificar, nem metade responderam: e, algumas, disseram qu o fariam.
Também na área dos Chefes de Estado e de Governo, actuais e antigos, a desilusão foi enorme, como poderão ver no tal “Preâmbulo” acima citado. Aos que responderam, os meus e nossos agradecimentos.
No caso particular de Angola, o que mais próximo está de mim – de nós – eu, particularmente, senti uma enorme desilusão. Dos que, de imediato, disseram sim e, até, se ofereceram par contactar terceiros, nomeadamente, entregar o convite , em mão, na Cidade Alta, as respostas aos convites foi um mutismo completo.
No caso de Moçambique, e sem entrar em pormenores e, ou, personalizar informações, um dos convidados, próximo do partido no poder, depois de dizer sim, entrou, também ele, num profundo e completo mutismo – até hoje – e isto aplicou-se aos contactos que Rui Verde tentou junto de moçambicanos. Em contacto com uma pessoa que reside em Moçambique – e confirmado, mais tarde por uma outra pessoa moçambicana residente fora de Moçambique – foi-me dito que nada é feito sem passar pelo crivo da liderança do Partido. Seja, a militantes deste, seja, a seus representantes eleitorais. Tive de respeitar esta atitude.
Já agora, houve um outro país lusófono que me asseverou enviar um texto tanto do Presidente, como de outras individualidades. Houve vários contactos telefónicos, por mensagens que era lidas – a certa altura deixou de me atender o telefone -mas nunca recebi qualquer texto (e foi-lhe dado mais tempo, como a outros que o solicitaram, por razões políticas e que cumpriram com o envio dos seus pertinentes e brilhantes textos).
Só um acrescento. Apesar do livro estar, inicialmente, como acima foi definido, com a particularidade de só termos solicitado, no máximo 6 a 7 páginas de texto e um curto CV pessoal e foto, alguns “abusaram” – no muito bom sentido – e estenderam-se por numeras e muitas boas páginas, levando-me a criar, com o acordo de Rui Verde, uma nova secção “Ensaios” – porque eram mesmo autênticos e bem elaborados ensaios. Já no caso dos CV, a grande maioria alongou-se, muito. Isto levou-me a fazer um significativo corte e reelaboração dos seus CV, o que, desde já, apresento as minhas desculpas por tal; mas era necessário.
Entretanto, e como poderão verificar, estranhamente – para mim – o livro não tem um Prefácio. Não foi por não se ter tentado. Pelo contrário. Houve convites em que houve duplas respostas: no primeiro caso e que seria bastante importante, houve um sim telefónico e, depois, com alguma estranheza, assessores vieram a dizer que estava indisponível; nos subsequentes – e foram só mais 2 pessoas convidadas – personalidades relevantes e com pertinência na matéria –, houve um não e, num terceiro caso, uma gritante falta de resposta. Nada acrescento!
Finalmente, só posso agradecer a todos os que disseram sim e enviaram os seus contributos. O projecto literário está aqui. E também só foi possível ele se tornar num livro com a elevada prestação editorial do João Ricardo Rodrigues que tudo fez para que o mesmo estivesse publicado até finais de Novembro de 2025, quando se celebrava os “últimos” 50 ano, no caso de Angola.

 

O livro “50 anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos” de Eugénio da Costa Almeida e Rui Verde (coordenadores) será apresentado na Biblioteca Palácio Galveias, no dia 9 de Janeiro de 2026 a partir das 18h00 

 

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