Livro de ex-directora do Facebook sobre abuso de poder que a Meta quis calar

Jojo

O livro “Gente Pouco Recomendável”, da ex-directora do Facebook, Sarah Wynn-Williams, que revela o funcionamento interno da empresa, chega hoje às livrarias, envolto em polémica, depois de a Meta ter conseguido uma decisão arbitral para travar a sua promoção.

“Gente Pouco Recomendável — Uma história real sobre poder, ganância e idealismo perdido” é um relato, na primeira pessoa, dos sete anos em que Sarah Wynn-Williams trabalhou no Facebook — a empresa que gere aquela rede social e que actualmente se chama Meta -, uma das maiores empresas tecnológicas do mundo, na qual alcançou o cargo de directora de Políticas Públicas Globais.

Editado em Portugal pela Presença, o livro é “um retrato implacável sobre a corrupção moral e política do sector digital, revelando a leviandade com que são tomadas as grandes decisões que condicionam a vida de milhares de milhões de pessoas”, revela a editora.

Sarah Wynn-Williams descreve uma empresa obcecada pelo crescimento, marcada por ambição desmedida, cultura interna tóxica e decisões tomadas sem escrutínio, apesar do impacto global da plataforma.

“Este é o livro que Mark Zuckerberg tentou silenciar, e muito provavelmente, com boas razões para isso. Com uma voz crítica, franca, mas ao mesmo tempo deliciosamente sarcástica, este livro é um retrato implacável sobre a corrupção moral e política do setor digital, revelando a leviandade com que são tomadas as grandes decisões que condicionam a vida de milhares de milhões de pessoas”, descreve a sinopse.

A Meta recorreu à American Arbitration Association (um centro de arbitragem privado) para impedir a autora de promover o livro, alegando que a empresa sofreria “danos imediatos e irreparáveis”.

A arbitragem emitiu então uma decisão provisória, que determina que a autora suspenda a promoção do livro, mas não impôs qualquer restrição à editora (Pan Macmillan), que declarou defender a liberdade de expressão e o direito de a autora contar a sua história, pelo que o livro pode continuar a ser vendido e distribuído pelas livrarias.

Contudo, a autora está impedida de dar entrevistas, fazer sessões de lançamento, publicitar o livro e outras ações promocionais, enquanto vigorar a decisão provisória.

“Gente Pouco Recomendável” é descrito pelo The New York Times como “um retrato feio e detalhado de uma das empresas mais poderosas do mundo”.

A obra descreve directamente episódios envolvendo o fundador e director executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, assim como a ex-directora operacional Sheryl Sandberg e o responsável por políticas globais Joel Kaplan, retratados como líderes obcecados por estatuto e crescimento, avessos à responsabilização.

No relato, Sarah Wynn-Williams descreve desde situações de assédio e abuso de poder no interior da empresa até decisões políticas controversas, incluindo o papel do Facebook na disseminação de desinformação durante as eleições norte-americanas de 2016, a propagação de discurso de ódio em Myanmar e contactos com regimes autoritários, sem esquecer projectos destinados a permitir a entrada da plataforma no mercado chinês.

Antiga diplomata da Nova Zelândia, com passagens pela ONU e pela embaixada do seu país em Washington, a autora afirma ter entrado no Facebook movida por idealismo, acreditando no potencial da rede social como ferramenta de mudança política e social.

Esse idealismo — escreve — foi-se perdendo à medida que a empresa se consolidava como um dos centros de poder mais influentes do século XXI.

Actualmente, Sarah Wynn-Williams dedica-se a temas ligados à tecnologia e à inteligência artificial.

«ALARMANTES ATAQUES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO”

O livro que Mark Zuckerberg tentou silenciar… e, muito provavelmente, com boas razões para isso. Em 2009, Sarah Wynn-Williams, uma diplomata neozelandesa, decidiu mudar o rumo da sua carreira e candidatar-se a um lugar no Facebook, a empresa que então prometia mudar o mundo. À medida que foi subindo na hierarquia, foi descobrindo um ambiente dominado por ambição, misoginia e hipocrisia.

Entre jatos privados e encontros com líderes mundiais, Sarah Wynn-Williams testemunha os efeitos de um poder sem escrutínio e de uma cultura empresarial tóxica obcecada pelo crescimento.

Com uma voz crítica, franca, mas ao mesmo tempo deliciosamente sarcástica, este livro é um retrato implacável sobre a corrupção moral e política do setor digital, revelando a leviandade com que são tomadas as grandes decisões que condicionam a vida de milhares de milhões de pessoas.

Críticas

«O que Wynn-Williams revela vai, sem dúvida, irritar os seus antigos patrões. Não só tem o talento narrativo para desenvolver uma história cativante, como também revela o essencial.» (The New York Times)

«Devastador. Divertido. Altamente envolvente.» (The Times)

«Quando uma das empresas de media mais poderosas do mundo tenta silenciar um livro – em plena vaga de alarmantes ataques à liberdade de expressão na América -, é altura de fazer tudo para impedir que isso aconteça.» (The Washington Post)

«Compulsivamente legível. Um relato viciante, cheio de alegações explosivas. Escrever este livro foi talvez a melhor coisa que ela fez para ajudar a alcançar a regulamentação de que precisamos com urgência para preservar a democracia.» (Times Literary Supplement)

«Um relato fascinante sobre a vida e a cultura do Facebook. Não consegui largá-lo. É drama de alta octanagem no mundo real, e é igualmente divertido e horripilante.» (V. E. Schwab)

«De tirar o fôlego. Um livro revelador.» (Financial Times)

«Um relato chocante, sombrio e altamente crítico.» (The Sunday Times).

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