“Muitas técnicas de propaganda vêm das agências de comunicação”

Jojo

O investigador José Pacheco Pereira alertou hoje que apesar das técnicas de manipulação informativa actuais terem raízes na propaganda do século XX, actualmente “muitas técnicas de propaganda vêm de assessores de comunicação e de agências de comunicação”.

Num debate sobre desinformação e democracia, promovido pela Assembleia da República, Pacheco Pereira sustentou que os mecanismos centrais da propaganda permanecem essencialmente os mesmos: mentira directa, omissão da verdade e sugestão de falsidade.

“Isto não é novo”, afirmou, sublinhando que o que mudou foi a capacidade tecnológica de amplificação.

Para ilustrar este fenómeno, o historiador evocou exemplos da propaganda da Segunda Guerra Mundial, desde cartazes britânicos e alemães até campanhas associadas a conflitos coloniais, demonstrando como imagens, grafismos e ‘slogans’ eram usados para moldar percepções públicas e reforçar narrativas políticas.

Segundo o investigador, muitas dessas técnicas, como a simplificação extrema, construção de inimigos, manipulação emocional e descontextualização de factos, continuam a ser aplicadas hoje, mas com recurso a plataformas digitais que permitem uma disseminação global quase instantânea.

“O problema já não é uma notícia isolada, mas a construção sistemática de um enredo”, afirmou.

Perante a velocidade e a complexidade destas operações, o investigador sublinhou a necessidade de actualizar instrumentos legais e mecanismos de responsabilização.

No caso do jornalismo, a directora de informação da agência Lusa, Luísa Meireles, defendeu que a profissão enfrenta desafios, como a influência dos algoritmos, o papel da Inteligência Artificial (IA) e o fim da intermediação jornalística, factores que contribuem para a disseminação de desinformação.

Luísa Meireles explicou que os órgãos de comunicação social deixaram de controlar plenamente a distribuição dos seus conteúdos, estando hoje dependentes de plataformas digitais que privilegiam publicações com maior potencial de interacção.

Os algoritmos tendem a apresentar aos utilizadores conteúdos alinhados com as suas preferências e histórico de navegação, reforçando convicções pré-existentes e reduzindo a exposição a perspetivas divergentes. Esta dinâmica, alertou, pode contribuir para a polarização e para a perceção de um défice democrático.

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