Guimarães recebe 3ª edição de bolsa de estudo digital ONU-Portugal

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A cidade portuguesa de Guimarães abriga 30 participantes de todo o mundo para um programa de transformação digital, políticas públicas digitais e modernização administrativa no projeto UN-Portugal Digital Fellowship.

Por Sara de Melo Rocha (*)

A Universidade das Nações Unidas – Unidade Operacional em Governação Electrónica, UNU-Egov, com sede na cidade portuguesa de Guimarães, prepara-se para receber a terceira edição do UN–Portugal Digital Fellowship, um programa internacional de capacitação financiado pelo Governo de Portugal e dirigido a altos responsáveis governamentais e diplomáticos de países em desenvolvimento.

A iniciativa decorre entre 13 e 17 de Abril de 2026 e vai reunir cerca de 30 participantes, incluindo decisores políticos, especialistas em transformação digital e representantes de missões permanentes junto das Nações Unidas.

O objectivo é reforçar capacidades institucionais, promover políticas públicas digitais baseadas em evidência e acelerar o cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS.

Delfina Soares, directora da UNU-Egov, explica em entrevista à ONU News que o programa distingue-se por estar direccionado a perfis com influência direta na definição de políticas públicas.

“Visa, sobretudo, decisores e formuladores de políticas públicas na área das tecnologias digitais, na área do governo digital e da governação digital”, afirma.

Os participantes dividem-se entre diplomatas colocados em Nova Iorque e responsáveis governamentais nos seus países de origem, muitos ligados a ministérios que lideram áreas de modernização administrativa e transformação digital.

A responsável revela que esta ligação directa aos centros de decisão potencia um impacto imediato.

“Estamos a falar precisamente daqueles que têm uma voz muito activa, que são quem estabelece essas políticas. Portanto, eu diria que o impacto é extremamente significativo, porque terá consequências diretas e imediatas na definição das próprias políticas e nas decisões de muito alto nível que são tomadas nos países nesta temática”, acrescenta.

Desde a primeira edição, em 2024, o interesse tem vindo a crescer. Após 15 participantes na estreia e 25 na edição seguinte, a organização prevê agora atingir cerca de 30 participantes em 2026, reflectindo a elevada procura.

“Devo dizer que de facto os números têm sido muito expressivos em termos de países e participantes que se candidatam a este programa”, afirma Delfina Soares à ONU News.

O processo de selecção passa por uma candidatura internacional, divulgada através das Missões Permanentes junto das Nações Unidas, que depois a disseminam nos respectivos países.

Ao longo de cinco dias, os participantes terão acesso a um programa intensivo composto por 13 módulos. As sessões incluem temas como enquadramento legal, tecnologias emergentes, governação de dados, participação cívica e direitos humanos.

Além das sessões técnicas, o programa inclui workshops interactivos, estudos de caso e momentos de networking, promovendo a aprendizagem entre pares e a troca de experiências entre países.

Um dos principais valores do programa reside na criação de redes internacionais de cooperação. Ao reunir decisores de diferentes geografias, o programa contribui para fortalecer a cooperação digital, como explica a directora: “Ter aqui pessoas com responsabilidades a estes níveis e de vários países é logo uma forma de começar a criar aqui um corpo, uma rede de partilha muito significativa.”

A experiência das edições anteriores confirma que estas ligações se mantêm para além do programa.

O foco do programa são os países em desenvolvimento, em linha com a Estratégia de Cooperação para o Desenvolvimento 2030. Para muitos participantes, esta é também uma oportunidade única de contacto internacional.

“Alguns participantes é a primeira vez que viajam para Portugal e só com esta iniciativa, o conseguiram fazer, e portanto, é também, desse ponto de vista, um enriquecimento muito significativo das pessoas”, refere Delfina Sores.

A UNU-Egov vai além do trabalho tradicional de uma universidade, posicionando-se como um centro de conhecimento aplicado, com a combinação de investigação, capacitação e consultoria junto de governos.

A instituição trabalha directamente com Estados-Membros da ONU, sobretudo no Sul Global, apoiando estratégias de governação digital e transformação administrativa.

“Nós somos mais um think tank que desenvolve atividades de investigação, capacitação e também assessoria, consultoria”, explica a diretora.

Para o Governo português, o UN–Portugal Digital Fellowship assume-se como um instrumento de diplomacia multilateral e cooperação internacional, reforçando o compromisso com a inovação pública e instituições mais eficazes, responsáveis e inclusivas.

(*)  Correspondente da ONU News em Lisboa

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