Ana Paula Tavares falou de poesia e de Angola

Jojo

Ana Paula Tavares é uma escritora angolana radicada em Portugal há cerca de três décadas. A sua voz poética foi premiada em 2025 com o Prémio Camões, o maior e mais prestigiado em Portugal.

A autora é uma figura ímpar da cultura em língua portuguesa, e a atribuição do prémio Camões rompeu com alguns hábitos que tendem a concentrar todas as atenções e privilégios sobre uma certa elite que domina o meio universitário e intelectual.

Ana Paula Tavares falou, em Santarém (Portugal) para uma plateia de apenas duas dezenas de pessoas, mas nem por isso baixou a qualidade da sua intervenção deixando um retrato falado do seu país e do seu percurso.

Os destaques das obras de Ana Paula, são a sua ”fecunda e coerente trajectória de criação estética” e a “resgate de dignidade da poesia”. “Com a dicção do seu lirismo sem concessões evasivas e com os livres compromissos da produção em crónica e em ficção narrativa, a obra de Ana Paula Tavares ganha também relevante dimensão antropológica em perspectiva histórica”, diz o júri que lhe atribuiu em 2025 o Prémio Camões.

Integraram o júri José Carlos Seabra Pereira, da Universidade de Coimbra, Ana Mafalda Leite, da Universidade de Lisboa; Francisco Noa, da Universidade Eduardo Mondlane em Moçambique; Lucia Santaella, da PUC-SP, Arno Wehling, membro da Academia Brasileira de Letras, e o escritor e crítico literário Lopito Feijó, de Angola.

A Ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, também parabenizou a poeta: “Premiar a Ana Paula Tavares é celebrar a força e a beleza da literatura lusófona. A sua poesia, tecida de memória, resistência e afecto, revela a potência das vozes africanas e femininas que enriquecem os patrimônios culturais. Reconhecemos a sua obra como laços profundos que unem Brasil, Angola e todos os países da lusofonia pela arte, pela palavra e pela história compartilhada.”

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