Seguro e Montenegro, tanta parra e tão pouca uva indiciam crime de lesa Lusofonia

Jojo

O Presidente da República, António José Seguro, defendeu no Luxemburgo que Portugal é hoje um país moderno “que quer de volta os seus” e, já sendo “extraordinário para se viver”, também “deve ser extraordinário para se trabalhar”. A seu lado, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, corroborou. Será que nenhum deles sabe que o Notícias Lusófonas está, há 30 anos, – sem apoios oficiais – a promover a Lusofonia?

Por Orlando Castro
Jornalista

Numa cerimónia com a comunidade portuguesa no Luxemburgo, que marcou o arranque das comemorações do Dia de Portugal, também Luís Montenegro destacou o “potencial de desenvolvimento” de Portugal e deixou um pedido aos emigrantes e lusodescendentes presentes.

“Portugal precisa de todos vós e nós contamos muito convosco para o nosso futuro. Seja esse futuro construído aqui no Luxemburgo, seja esse futuro construído no regresso que ambicionamos muitos possam ter a Portugal, seja esse futuro construído com as famílias que partilham uma presença quer em Portugal, quer no Luxemburgo”, disse o primeiro-ministro, repetindo o que, há 30 anos, tem escrito o Notícias Lusófonas.

António José Seguro foi ainda mais claro, dizendo que Portugal “é um país que quer receber de volta os seus, os que emigraram e os que nasceram fora, mas que sentem Portugal como uma parte de si”. Onde andaram ambos, e os governantes que os antecederam, desde que em 1996 nasceu o Notícias Lusófonas?

O chefe de Estado recordou o que disse recentemente a jovens portugueses em Madrid, na sua primeira visita desde que tomou posse a 9 de Março: “Portugal é um extraordinário país para se viver. E deve ser também um país extraordinário para se trabalhar. É um compromisso que assumo”.  Compromisso? Que mensagem terá para dar aos que, no Notícias Lusófonas, há 30 anos fazem que deveria ser feito pelos governantes portugueses?

O primeiro-ministro, na mesma onda de muita parra, pouca uva e nenhuma competência, prometeu que o Governo tudo fará para “garantir condições” aos que continuam a querer ensinar português no estrangeiro, apontando a língua como “o elo mais eficaz e mais vivo” para manter a ligação entre toda a comunidade.

Língua? Também é isso que – há 30 anos, repita-se – é feito (a partir de Portugal) pelo Notícias Lusófonas, apesar da indiferença dos altos dignitários do país, que não dos seus leitores.

“Àqueles que continuam a querer ensinar português, que continuam a servir o interesse de Portugal, quero transmitir-vos que nós não deixaremos de tudo fazer para garantir as condições para que esse trabalho possa ser continuado e para garantir que este elo que liga a nossa comunidade”, afirmou Luís Montenegro, numa breve intervenção no Centro Cultural Artikuss de Sanem, no Luxemburgo.

E então em que país real vive e é primeiro-ministro Luís Montenegro? É que tudo isso é feito (corrobore-se tantas vezes quanto necessário) desde 1996 pelo Notícias Lusófonas.

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