O líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) disse hoje que vai avaliar se existem condições para se candidatar às eleições presidenciais na Guiné-Bissau, marcadas para 6 de Dezembro, e considera “chocante” candidatura de Sissoco Embaló.
Domingos Simões Pereira declarou à agência Lusa que vai ter de avaliar, escutar e ponderar se existem “as condições necessárias” para candidatar-se às eleições presidenciais na Guiné-Bissau.
“Nessa altura, as entidades competentes, nomeadamente o partido e as estruturas a que pertenço, terão capacidade de se posicionar”, salientou o líder da oposição guineense.
Segundo o dirigente, “a axtividade política está suspensa” no país lusófono, sendo que “as únicas entidades que têm liberdade para poderem não só circular, mas [para] manifestarem-se e desenvolverem publicamente as suas atividades, são aquelas que se alinham com o poder”.
Perante este cenário, Simões Pereira sublinhou que tem de haver “o mínimo de condições reunidas para poder participar de algum pleito eleitoral”.
Questionado sobre o seu regresso à Guiné-Bissau, após três meses em Portugal – onde se encontra desde 24 de julho por razões de saúde e humanitárias -, o líder do PAIGC afirmou que ainda não falou com o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), acrescentando que não negociou nada e não sabe se há um prazo para sair do país.
Os militares guineenses protagonizaram um golpe de Estado em 26 de Novembro de 2025, um dia antes da publicação dos resultados de eleições legislativas e presidenciais, e afastaram do poder o então Presidente, Umaro Sissoco Embaló.
Criaram um Conselho Nacional de Transição (CNT), que assumiu as competências do parlamento, e nomearam Ilídio Vieira Té primeiro-ministro e ministro das Finanças.
A oposição considerou que se tratou de um golpe de Estado encenado para permitir que Sissoco Embaló, que vive regularmente em Marrocos desde o golpe, regresse ao poder através de novas eleições presidenciais e legislativas marcadas pelos militares para 6 de Dezembro.
Comentando a candidatura de Sissoco Embaló às presidenciais, Domingos Simões Pereira, considerou hoje “chocante” e motivo de “inquietação” o anúncio da candidatura presidencial do antigo Presidente, questionando se existem garantias de igualdade e segurança para todos os participantes no processo.
“O que torna essas declarações algo chocantes é o facto de ele Sissoco Embaló ter saído da Guiné-Bissau presumivelmente como vítima de um golpe de Estado, que todo o mundo na altura compreendeu que não passava de cerimonial”, declarou Domingos Simões Pereira, que está em Portugal por razões médicas e humanitárias, sublinhando que o antigo Presidente guineense impediu “a divulgação dos resultados, que lhe davam como perdedor dessas eleições”, e evitou o reconhecimento de “Fernando Dias da Costa como Presidente eleito”.
Segundo o líder do PAIGC, a manobra de Sissoco Embaló serviu para “manter no poder elementos da sua confiança” até que estivessem reunidas as condições para o seu regresso e reclamação do cargo.
O líder da oposição estranhou ainda a mudança do discurso por parte das autoridades militares guineenses, notando que, após um período em que o Alto Comando Militar garantia ter outras prioridades, surja agora o anúncio de que estão criadas as condições para a candidatura do ex-presidente.
“Poucas vezes ou nunca ouvi falar de uma entidade que tenha sido vítima de um golpe de Estado fazer essas afirmações em relação a quem o afastou do poder”, salientou Domingos Simões Pereira.
Para a oposição, a grande dúvida que se coloca neste momento é saber “se essas mesmas condições serão garantidas a todos os demais guineenses que queiram regressar e participar do processo [eleitoral]”, o que, no seu entender, deve “suscitar alguma inquietação e interrogação”.
Na segunda-feira, Umaro Sissoco Embaló anunciou que será candidato às eleições presidenciais de dezembro, a menos de uma semana do regresso anunciado a Bissau.
“Sim, serei candidato”, disse Sissoco Embaló à revista Jeune Afrique (JA) a partir de Brazzaville, de onde deverá seguir para Bissau no próximo domingo.
De acordo com a revista, o antigo chefe de Estado guineense considera que o general Horta N’Tam Inta-a, presidente de transição desde o golpe de Estado de 26 de novembro de 2025 e “principal artífice do seu afastamento, mas de quem se manteve próximo, respeitará os termos da carta de transição e não se candidatará”, o que deixa o caminho aberto para o início da pré-campanha.
Até 6 de Dezembro, data marcada para as eleições, haverá o congresso do seu partido, o Madem G15, a 16 e 17 de Outubro, e será depois lançada a Plataforma Republicana, que reúne mais de uma dezena de partidos e que deverá dar o apoio à candidatura de Sissoco Embaló, acrescentou a JA.
Com o golpe de Estado de 26 de Novembro, o Conselho Nacional de Transição (CNT) fez aprovar uma nova Constituição que reforça os poderes do Presidente da República, entre outras alterações.
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